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  • Tiago Sant'Ana

Reino de Deus



O início do ministério de Jesus foi marcado por um forte e radical anúncio: “O tempo é chegado. O Reino de Deus está próximo. Arrependam-se e creiam nas boas novas! ” (Marcos 1. 15). Mas, o que seria de fato esse Reino de Deus? Como experimentá-lo ou vivencia-lo? E, talvez o mais crucial nessa história: Será que alguém de fato quer? Te convido a uma série de artigos que refletirão sobre esse Reino anunciado por Jesus.


Quando falamos de Reino há alguns pressupostos evidentes, ou seja, um Rei, trono, súditos, etc. Pensar em rei e reino, em nosso país cujo período de 315 anos foi colônia de Portugal e cerca de 70 anos como monarquia, talvez soe de maneira pesarosa. Até porque nossa Terra Pindorama, Terra de Vera Cruz, e por fim Brasil, foi vigorosamente uma colônia de exploração. Neste processo, a metrópole tem como interesse apenas explorar os recursos naturais da colônia para enriquecer e levar todo lucro a seu país de origem. Portanto, não há preocupação com a terra colonizada.


Diferente do Brasil, colônia de exploração, os Estados Unidos, foram uma colônia de povoamento, onde o objetivo é desenvolver a terra para a habitação, como também criar formas de comércio e ampliar as estruturas básicas da colônia (criação de escolas, hospitais, etc). A história dentro de um tempo cíclico se repete e nesse eterno retorno, nosso país continua na mão de indivíduos que exploram para suas metrópoles pessoais as custas da saúde, educação e saneamento básico.


Com todo esse aparato acentuado acima e nosso ranço em relação a qualquer espécie de Monarca, como então, assimilar esse Reino anunciado por Jesus? Talvez, a pergunta com tons provocativos seria: “Jesus, e para o Brasil, o senhor tá pensando em exploração ou povoamento? ” Preciso de sua colaboração caro leitor no prolongamento cronológico que realizarei.


Para falarmos de Reino de Deus, precisamos de algo que nos facilite a imaginação, e para isso não precisamos ir fundo nas criações, será necessário apenas voltar os olhos para os relatos dos primeiros capítulos do livro do Gênesis. O Jardim do Éden era um lugar de consciências altruístas e relacionamentos saudáveis, não havia a proposta de dominação e exploração de um em detrimento do benefício do outro. Deus nunca tratou o ser humano assim e não aceitaria que estes se tratassem desse jeito também.


Talvez, nesse momento, você que é um ávido leitor da Bíblia lembrará do texto que diz: “Então disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os grandes animais de toda a terra e sobre todos os pequenos animais que se movem rente ao chão”. (Gênesis 1. 26) Perceba que o texto do “ domine” pressupõe o ser a “imagem e semelhança de Deus”, portanto, o homem deveria cuidar da terra de maneira que lhe promovesse todo o cuidado necessário para sua manutenção como também o ser semelhante a Deus, vincula o ser humano ao Caráter divino, que é Amor, justiça e sumo cuidado. Então, “dominar” sai do viés imperialista e se encaminha para a via da inclinação perante a necessidade do outro. Como se diz: “Quanto mais poder, mais responsabilidade”, isso claro, perante sua própria consciência e diante dos outros.


Esse Jardim de responsabilidades, de consciência nutrida em favor do bem comum, de uma mulher ladeada pelo seu homem e de um homem que só gere o que gere, pois está acompanhado pela mulher, que recebeu o dom de gerar a vida, Deus anuncia seu Reino e os cuidados dispensados aos que nele habitam. Se há fome, há árvores frondosas, se há falta de aconchego, um tem o peito do outro. Nada falta mesmo! Até que… certo dia as consciências se conflitaram.


Quando os conflitos surgiram o ser humano pensou que o Rei desse Reino, não sabia como de fato conduzir suas vidas, portanto, era melhor que se tornassem reis sobre si. Ocorreu assim a primeira guerra dos tronos. Nessa guerra, as investidas foram fantasiosas e coube a um terceiro elemento, a serpente, incitar e favorecer o caminho de uma vitória impossível e impraticável, ou seja, alguém vencer sem Aquele que nos encaminha a um cotidiano de confronto das realidades. Nasceu aqui um mundo platonizado e com ele nossas constantes fugas do real.


O Éden não estava nos moldes do povoamento, pois não era alguém de fora vindo a terras estranhas para habitar, e muito menos, colônia de exploração, já que, não se extraia algo para conduzir a uma metrópole usurpadora, mas era sim uma grande casa comum, cujo pai amoroso e maternal, abria as portas da dispensa e mantinhas seus filhos bem alimentados e bem vestidos. Entretanto, esses filhos acharam que podiam seguir sozinhos e quando assim fizeram, não se afastaram apenas de Deus, mas de si mesmos e ao se autoproclamarem reis, precisaram cobrir suas vergonhas, pois estava claro que o rei estava nu.

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