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  • Tiago Sant'Ana

O CONVITE


“Vendo as multidões, Jesus subiu ao monte e se assentou. Seus discípulos aproximaram-se dele, e ele começou a ensiná-los. ” Mateus 5:1,2


Iniciamos no artigo passado uma série que se propõe refletir acerca do anúncio de Jesus sobre o Reino de Deus. Que Reino é esse? Como vivê-lo? Ou melhor será que dá para vivê-lo? Convido você a pensar sobre essa proposta de Jesus e sua viabilidade em nosso cotidiano.


Não é em vão que Jesus está subindo em um monte, a figura que ecoa e espelha nesse instante para seus discípulos é a do próprio Moisés. Para alguns espectadores essa atitude poderia soar como uma profunda pretensão: “Como assim se comparar a esse grande profeta? ” Propositalmente, o evangelista Mateus se detém meticulosamente ao roteiro traçado por Jesus. Há algo mais aqui! Não é apenas um exercício para as pernas, ou um palanque mais adequado para a atenção dos ouvintes, mas sim uma ressignificação de fatos e ideias está sendo anunciada.


Moisés no Monte Sinai recebe os dez mandamentos e os proclama a um povo ainda arraigado a um sistema escravocrata que não saíra de sua cabeça. Fazendo jus a famosa frase: “Eles saíram do Egito, mas o Egito não saíra deles”, portanto, a prática de qualquer mandamento era uma inserção muito mais sociocultural do que religiosa. Todavia, o entendimento dessas regras como prática religiosa engessou e corrompeu o processo de transformação social.


Nenhum mandamento fora dado por mero capricho do ser divino. Como se o mesmo dissesse, o que ouvimos muitas vezes na infância de nossos pais ao indagarmos: Mas, por que? E, prontamente recebíamos a assertiva: Porque SIM! A relação de Deus com a humanidade é passional, mas também racional. Deus não brinca de se relacionar, não usa pessoas, não as faz marionete, mas as percebe no seu universo restritivo e busca a expansão de suas consciências.


O que Jesus faz ao subir o Monte naquele dia é aproximar Deus do ser humano. As constantes ressignificações que o sermão da montanha nos faz, amplifica a voz de Deus de uma maneira nunca antes percebida. Moisés tentou fazê-lo perceptível, porém diante do medo, que é próprio de toda pessoa que se aproxima do momento da autenticidade da existência, o povo de Israel acentua: “Fala tu mesmo conosco, e ouviremos. Mas que Deus não fale conosco, para que não morramos” (Êxodo 20.19). Ninguém ia morrer, Moisés era constituído da mesma humanidade que cada um ali e não morrera, contudo, o temor deles era que o confronto real das consciências fosse realizado de modo que atravessasse a alma. Dá para se concluir que quando a situação aperta para si mesmo, todo mundo afrouxa a corda, pois poucos de fato querem viver com autenticidade. As máscaras nos caem muito bem.


Moisés se aproxima de Deus, pois sabe de que ele, como humano, é constituído. Tem a franqueza peculiar aos corajosos que na vida assumem suas fraquezas. Moisés sabia que diante de Deus, ele estava nu e sem nenhum receio expõe suas vergonhas. Creio que assim pensava: “Deus sabe quem eu sou. Não adianta disfarces! ” Todavia, quanto ao povo parece ressoar naquela negativa de se aproximarem de Deus, a seguinte proposta: “É melhor se esconder no Photoshop e no filtro da maquiagem que assumir quem somos”.


Na montanha, Jesus, Deus encarnado, se assenta no meio do povo, e comprova que ninguém morre ouvindo as verdades sobre a existência, todavia, vai se definhando toda a vez que se torna surdo e cego propositalmente.


Jesus na montanha é Deus dizendo aos seres humanos: “Terminamos aqui a lista de interventores e mediadores. Agora sou eu e você apenas. Senta junto comigo, pois temos muita coisa a falar a respeito da vida”. Você aceita o convite?

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